Não me impeça de ver o que anseio.
Metade
Oswaldo Montenegro

(Outubro de 2007)
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Então resolvi:


Aquele casal vivia às turras. Era grito dali, reclamação daqui... ela chorava e ele se desesperava porque não conseguia entender a razão daquela mudança de comportamento todo fim de mês.
Atento e caprichoso, ele percebeu que o humor da namorava mudava muito, e pra melhor, sempre que ela comia um doce, então, a partir dali, no meio das brigas, ele a trancava gritando no quarto, saía no carro e voltava minutos depois com uma enorme e suculenta barra de chocolate.
Ela então, enxugava as lágrimas, recebia o agrado e, aos poucos, ia permitindo as carícias do companheiro. Este, pro fim, lambia com carinho a ponta dos dedos da amada para sugar os restinhos do doce, que ela também deixava propositalmente nos cantinhos da boca.
E era sempre assim: ela chorava, ele saia, trazia mais doces e eles faziam as pazes entre uma mordida no chocolate e outra no pescoço...
A receita seria perfeita se ela não tivesse descoberto, meses depois, que tinha diabetes e em crise, o acusado de tentar matá-la com os mimos.
"AINDA ENCONTRO A FÓRMULA DO AMOR"
Kid Abelha